sábado, 4 de fevereiro de 2017

CAPELA DE SÃO VICENTE - MOSSORÓ



A Igreja de São Vicente de Paula, que fica na Av. Alberto Maranhão, Centro, foi  inaugurada no dia 20 de julho de 1919, e vem prestando serviços religiosos até os dias atuais. A idéia da sua construção surgiu mais ou menos no ano de 1915, no seio das confrarias vicentinas, sendo a sua pedra fundamental lançada a 3 de outubro de 1915, com ato oficiado pelo padre Elesbão Gurgel. Os idealizadores da capela foram: Manoel Tavares Cavalcante, que era mais conhecido por Capitão Zeta, Francisco Borges de Andrade, Natanael Luz, Silvino Bernardino de Souza, Genuíno Alves de Souza, Antônio Francisco da Costa e Domingos Matias da Costa. Dois fatos, no entanto, marcaram a existência daquele templo: a seca e o cangaceirismo.
Como já foi dito, o início da construção da Igreja de São Vicente deu-se no ano de 1915, ano esse em que o Nordeste brasileiro sofria com uma terrível seca. O historiador Raimundo Brito, em trabalho publicado sobre a Igreja de São Vicente diz que “os serviços da construção do templo serviram para amenizar o sofrimento das numerosas levas de retirantes que aqui chegavam tangidos pelo flagelo da grande estiagem”.  Das mãos fracas de famintos retirantes surgiram os tijolos e a cal que foram usados para erguer o templo.  O dinheiro que ganhavam, apesar de pouco, era o que amenizava a fome. O professor Almeida Barreto, em um dos capítulos das suas memórias dizia: “Aquele templo é uma dádiva de suor, sangue e lágrimas dos retirantes de 1915. Merece um poema à memória de um êxodo forçado”. E o próprio professor Barreto faria esse poema, quando apelava: “Mossoroenses, quando passardes diante da Igreja de São Vicente de Paula, prestai o vosso culto, não só ao orago do templo, como aos seus construtores, quase todos desaparecidos já, porém, ainda mais rendei o vosso preito àqueles humildes grandes, que fabricaram, de graça, o material para o citado templo”.
O templo permanece até hoje com o mesmo estilo idealizado pelo arquiteto Francisco Paulino. Quase nada mudou em sua arquitetura.
Um outro fato marcante é que em 13 de junho de 1927, quando a cidade de Mossoró foi atacada pelo bando de cangaceiros chefiados por Lampião, a Igreja de São Vicente serviu como trincheira para os defensores da cidade, sendo de sua torre que partiram os tiros que mataram o cangaceiro Colchete e feriram Jararaca, que posteriormente veio a ser justiçado em Mossoró. A resistência encontrada pelos facínoras fez com que os mesmos fugissem no que ficou conhecida como sendo a primeira grande derrota de Lampião, derrota essa que fez com que até o fim dos seus dias, não mais perturbasse a paz no Rio Grande do Norte. Foi uma grande vitória do povo mossoroense, vitória essa que é lembrada até os dias atuais, e que teve como comandante maior o prefeito Rodolfo Fernandes. Daí porque muitos se referem à Igreja de São Vicente como sendo a Igreja de Lampião, ou a “Igreja da bunda redonda”, por assim ter sido chamada pelo chefe dos bandidos.
Da luta dos flagelados da seca de 1915 para erguer o templo, nada se comenta. Esse fato a poeira do tempo apagou. Da importância da Igreja na defesa da cidade contra os cangaceiros, sim. Esse episódio fez com que a Igreja se tornasse um ponto turístico da cidade de Mossoró. Sua imagem ficou associada a esse fato de tal maneira, que não se fala em cangaceiros em Mossoró sem se referir a Igreja de São Vicente. Por tudo isso é que a Igreja de São Vicente de Paula é considerada um monumento histórico da cidade de Santa Luzia de Mossoró.
FONTE: COLUNA DE GERALDO MAIA, JORNAL O MOSSOROENSE

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